Título da Redação: Em busca da "remiscigenação"

Proposta: A “Camarotização” da sociedade brasileira: a segregação das classes sociais e a democracia

Redação enviada há mais de 3 anos por Julia Ferraz


No início do modo de produção fabril Karl Marx já dizia que o capitalismo gera a divisão da sociedade em classes, e a partir daí as pessoas passam a ser tratadas diferentemente. No entanto, tal condição não as impediam de ter uma vida comum, diferentemente dos dias de hoje, nos quais as classes estão cada vez mais segregadas. Diante disso, a preferência por serviços pagos e a progressiva perda de convívio entre os grupos promove, indiretamente, o sucateamento das funções na esfera pública, e diretamente, a redução da identificação cultural.

Primeiramente, é válido ressaltar que a conjuntura capitalista favoreceu o processo de camarotização. Uma vez que se visa a promoção do consumo objetivando o lucro são criados setores especiais em eventos, os quais contam com melhores serviços e localização, consequentemente, por um preço maior. Desse modo, inicia-se a elitização, já que o acesso é pautado no poder de compra. O mesmo ocorre com a educação e a saúde, a população ao perceber os problemas nas áreas, ao invés de cobrar pela melhoria dos serviços, buscam os domínios privados como solução, enquanto a outra parte –sem condição de arcar com os custos, aceitam, predominantemente de maneira passiva, o que é oferecido. Essa divisão provoca indiretamente o sucateamento dos serviços públicos, já que os indivíduos passam a exigir cada vez menos de seus representantes.

Além disso, com a intensificação da separação das classes, bem como a aculturação promovida pela globalização, o único costume desejado é o do consumo. A diminuição dos espaços compartilhados por todas os grupos afeta diretamente o convívio, já que só há o contato, na maioria das vezes, no momento de obter algum produto ou serviço. A cidade de Nova Iorque é o maior exemplo de como uma política implantada visando o acesso das camadas mais baixas em zonas mais valorizadas foi revertida em uma prova clara de fragmentação ao se construírem prédios com entradas diferenciadas, bem como o acesso aos serviços – a piscina só pode ser utilizada pela classe alta. Assim, a identificação cultural é diretamente afetada, visto que apenas o poder de compra é fator de reconhecimento entre os indivíduos.

Fica evidente, portanto, que a burguesia e o proletariado estão mais distantes do que Marx acreditava, e isso afeta profundamente a noção de pertencimento à sociedade. Sendo assim, as ONGs e as instituições sociais devem cobrar pela melhoria dos serviços públicos. O governo deve tomar medidas para reverter a situação e investir em obras públicas de socialização como parques, bem como melhorar os serviços de educação e saúde afim de que todos queiram utilizar. Esse último pode, também, lançar propostas de incentivos fiscais em eventos privados afim de que ocorram rodízios de lugares, barateando os locais mais privilegiados. Logo, será possível promover a “remiscigenação” que o país tanto precisa.

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