Título da Redação: Pluralidade Singular

Proposta: A intolerância religiosa no Brasil

Redação enviada há cerca de 2 anos por Tcfc


Devido à atípica imigração multiétnica para as diversas regiões do Brasil, o país se consolidou como detentor de grande variedade cultura, o que o torna ainda mais singular. Entretanto, a intolerância religiosa é notória desde o período colonial, quando, de fato, o território detinha uma religião oficial, até os tempos atuais, marcados por uma teórica laicidade, que tem sido ineficaz na proteção dos crentes do dogmatismo alheio. Apesar de a liberdade de consciência e crença assegurada pela Constituição Federal ser um progresso em relação a outras nações do mundo, ainda há falhas sociais que dificultem a plena equidade, as quais devem ser combatidas com uma eficaz normalização das diferenças numa ação conjunta entre Estado, sociedade e mídia.
O passado colonial brasileiro exerce forte influência no pensamento discriminatório atual. Isso devido ao fato de que durante o colonialismo sofreu-se grande homogeneização religiosa seguindo os padrões etnocêntricos, caracterizada pela perseguição, legitimada pelo Estado, de religiões alternativas, com ênfase nas de raízes africanas como Umbanda e Candomblé. Como resultado disso, criou-se uma mentalidade popular de desrespeito às diversidades, a qual se arrasta até hoje, sendo grande dirigente da intolerância. Dessa forma, infere-se a ineficácia do Governo em extinguir tal mentalidade e trabalhar na reinserção geral da população que permanece sofrendo com ação discriminatória, como exemplo o caso da jovem candomblecista Kaylane Campos, de 11 anos, atacada a pedrada por religiosos intolerantes ao sair do culto.
Ademais, opiniões exclusivistas de líderes religiosos e más interpretações de dogmas são grandes catalizadores de índices de violência. Por conta da vida em sociedade, os cidadãos do Estado laico contemporâneo deveriam seguir, em teoria, princípios pautados no respeito à individualidade. No entanto, guiados por dogmas exclusivistas, muitas vezes divulgados por líderes religiosos, crentes praticam a intolerância por acreditarem que suas crenças são as “corretas”. Em adição, a ignorância popular em relação à gravidade da discriminação coopera com a normalização da violência, de forma a secundarizar o combate do preconceito, mais sentido pelas minorias, como espiritas, umbandistas e candomblecistas, os quais compõem apenas 5% dos fiéis brasileiros, segunda dados do IBGE.
Infere-se, portanto, que as figuras de relevância nas diversas práticas religiosas precisam se atentar sobre a influência da divulgação de suas ideias e pensamentos nas atitudes dos fiéis e, assim, conscientiza-los sobre a importância do respeito às diferenças e corretas interpretações dos ideais sagrados. A proibição do dogmatismo seria errada e agrediria a liberdade de opinião e expressão, todavia deve haver, por parte da população, a limitação moral e racional da influência dogmática em relação à liberdade de à dignidade alheia. Além do significativo papel do Estado em efetivar a laicidade do país e proteger, efetivamente, a prática religiosa, e, também, com auxílio midiático, trabalhar na normalização e preservação do caráter singular da pluralidade brasileira a partir da compreensão de que “comum” não é sinônimo de “correto” e que não há erro na diferença.

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