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Proposta: A intolerância religiosa no Brasil

Redação enviada há cerca de 2 anos por THAIS DINIZ


No século I, Nero, imperador romano, declarou a perseguição de inúmeros cristãos,
principalmente após o grande incêndio de Roma que ocorrera durante o seu reinado e o qual,
segundo ele, era responsabilidade desses religiosos. Séculos depois, Constantino, outro imperador
romano, legalizou e apoiou fortemente a cristandade que, depois de oficializada em quase todo o
ocidente, não deixou de também coibir outras manifestações religiosas, como com a presença da
Santa Inquisição no Brasil colonial. Embora o Estado seja, hoje, constitucionalmente laico no país
tupiniquim, atos de intolerância religiosa ainda são uma constância nacional. A fim de atenuar essa
situação é preciso antes entender que ela deriva de fatores históricos e culturais.
Primeiramente, deve-se perceber que a intolerância religiosa está enraizada na história
brasileira. Isso porque, desde o início da colonização, a religião católica foi imposta como única
expressão religiosa aceita, já que essa religião proselitista era a oficial do império português.
Assim, práticas de catequese indígena, por meio dos jesuítas, e a proibição do culto de outras
religiões, como as de matrizes africanas, eram normas oficiais da Colônia e do Império brasileiro.
A laicização do Estado nacional com a promulgação da primeira constituição republicana, no
entanto, não veio acompanhada de nenhum mecanismo efetivo para a inserção dessas religiões
outrora descriminalizadas. Com isso, até hoje, muitas pessoas ainda se entendem no direito de,
como ocorria no passado, imporem a sua crença no outro e de hostilizarem aqueles com uma fé
diferente. Dessa forma, conflitos devido a questões religiosas ainda são notícias nos jornais
nacionais.
O passado, além de explicitar as ações que oficializavam a descriminalização religiosa
existente até os dias hoje, também demonstra que a intolerância religiosa, no Brasil, é o subproduto
de uma cultura ainda racista. Isso porque a maior parte das atitudes intolerantes são direcionadas a
religiões de matrizes africanas, como o recente apedrejamento de uma menina carioca que saia de
um evento de Candomblé. Essa situação deriva de uma história escravista, na qual a promulgação
da Lei Áurea não pressupôs a criação de meios para a inclusão do negro na sociedade brasileira.
Desse modo, mesmo que a constituição atual recrimine, a marginalização desse grupo social, no
século XXI, é uma realidade no país, seja pela falta de oportunidades no mercado de trabalho, por
exemplo, seja pela desvalorização de seus aspectos físicos e culturais. Assim, são comuns, no país
da miscigenação, discursos de ódio e atos violentos direcionados ao culto de religiões afro-
brasileiras.
Torna-se evidente, portanto, que as práticas de intolerância religiosa nacional são o
resultado de ações do passado que, até hoje, estão presentes na cultura brasileira. Para reverter esse
cenário, é fundamental que o MEC reformule o ensino básico, de forma a integrar nesse a matéria
“Vivendo com as diferenças”. Nela, os alunos e, frequentemente, os seus responsáveis serão
apresentados as diversas manifestações culturais do país, como as relacionadas ao culto religioso,
por meio de debates, palestras, amostras de filmes e gincanas, nos quais todos os costumes sejam
reconhecidos e respeitados. Outrossim, os governos municipais e Estaduais devem, em parcerias
com a esfera privada, por meio de isenções fiscais, criar centros de valorização da cultura negra,
como museus e espaços de divulgação e de produção de suas manifestações artísticas. Destarte,
será possível para os brasileiros do futuro que as guerras e as perseguições por fé restrinjam-se ao
estudo de uma história distante.

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