Tema de redação
Obesidade: problema de saúde ou problema social?

Textos motivadores

Texto 1

Entrevista da BBC BRASIL com o endocrinologista brasileiro Walmir Coutinho, que preside a World Obesity Federation

BBC Brasil – O que significa ter metade das crianças pequenas brasileiras comendo bolachas e boa parte delas bebendo refrigerante e suco artificial?

Coutinho – Esses dados dão a medida de uma tendência que outros estudos já haviam mostrado. O consumo excessivo de alimentos e bebidas pouco saudáveis estão hoje é um problema seríssimo no Brasil. E, se continuarmos nesse ritmo de crescimento da obesidade, seremos o país com mais obesos do mundo em 15 anos.

BBC Brasil – Olhando o lado da alimentação da criança brasileira, quem são os principais vilões atualmente?

Coutinho – Há os vilões invisíveis, especialmente suco de fruta artificial e iogurte. O pai e a mãe acham que estão dando algo saudável para as crianças, mas são produtos que tem muitíssimo açúcar. Fora isso, é preciso lembrar que os alimentos mais baratos são os que mais engordam.

BBC Brasil – E como isso é prejudicial?

Coutinho – É um fenômeno chamado de transição nutricional, em que as pessoas que conseguem superar a falta de alimentos começam a ter acesso aos produtos mais baratos, que costumam ser altamente industrializados. Sair do supermercado com saquinho de batata frita, salgadinhos, biscoitos e chocolates é mais barato do comprar frutas e verduras. A população de baixa renda também costuma ter menos tempo e infraestrutura para praticar atividade física.

BBC Brasil – Quais os principais impactos em alguém que passa pela infância sendo obeso?

Coutinho – O impacto na saúde da criança é mais conhecido. A obesidade traz problemas graves como hipertensão arterial muito alta, problemas osteoarticulares em partes do corpo como joelho, coluna e tornozelo, além de asma e diabetes. Mas também há o lado psicológico, que muitas vezes é subvalorizado. As pessoas não se dão conta do impacto psicológico de apelidos dados a essas crianças, do isolamento em que elas vivem e de estereótipos como o menino gordinho que só pode jogar no gol, por exemplo. São situações que causam traumas que podem ser levados para a vida adulta.

Publicação em  26.8.15

 

Texto 2

“Desde que o pânico sobre o aumento de peso da população emergiu na década de 1990, essa visão negativa das pessoas gordas tem se intensificado”, diz a socióloga australiana Deborah Lupton, professora da Universidade de Sydney e autora de Fat (“Gordo”, não lançado no Brasil). O livro, publicado em 2012, analisa como tem se espalhado um estigma sobre os cidadãos acima do peso, “vistos como pessoas gananciosas, sem autocontrole, desorganizadas, até grotescas”.

Na TV, gordos são ridicularizados, sofrendo para fazer dieta e se exercitar em frente às câmeras. Fala-se de uma “epidemia de obesidade”, e gordos recebem olhares de desaprovação, como se fossem emissários da peste negra. Companhias aéreas e marcas de roupas penalizam seus clientes mais pesados. No Brasil, o sobrepeso virou critério de seleção em concursos públicos e se transformou em nota de corte no mercado de trabalho – em uma entrevista, o publicitário e apresentador de TV Roberto Justus decretou que não se deve contratar quem está acima do peso, pois isso seria um sinal inequívoco de desequilíbrio e falta de inteligência. “Muitas campanhas contra a obesidade acabam envergonhando a quem deveriam ajudar, além de incitarem o ódio à gordura”, diz Deborah.

Para ficar bem claro: gordura corporal em excesso é, sim, um perigo. “Uns 30% dos obesos podem ter um perfil metabólico e cardiovascular dentro da normalidade. Mas estudos mostram que pacientes com IMC (Índice de Massa Corporal, ou peso dividido pela altura ao quadrado) superior a 30 sempre têm risco aumentado para doenças cardíacas, vasculares, diabetes e câncer”, diz o endocrinologista Lício Veloso, professor da Unicamp e pesquisador de mecanismos da obesidade.

Disponível em http://super.abril.com.br/ciencia/onde-os- gordos-nao- tem-vez

 

Texto 3

Claire Walker Johnson vivia no Queens, em Nova York, e era um mistério para a medicina. Não importa o quanto ela comesse, ela nunca ganhava peso. Entretanto, Claire, de rosto fino e delgado, tinha os mesmos problemas enfrentados por muitas pessoas obesas – diabetes tipo 2, pressão sanguínea elevada, colesterol elevado e, o pior de tudo, um fígado cheio de gordura.

Ela e um grupo muito pequeno de pessoas magras deram pistas surpreendentes aos cientistas a respeito de uma das principais questões sobre a obesidade: por que pessoas obesas muitas vezes desenvolvem doenças sérias e muitas vezes mortais? A resposta, ao que tudo indica, tem muito pouco a ver com a gordura. Na verdade, trata-se da capacidade de cada pessoa de armazenar essa gordura. Com isso em mente, os cientistas começam agora a desenvolver tratamentos que protejam às pessoas do excesso de gorduras não armazenadas, livrando-as de problemas médicos complicados.

Por trás de todas essas condições e da "síndrome metabólica" – ou seja, possuir ao menos três condições associadas à obesidade – está uma capacidade inadequada de armazenar gordura. As pessoas obesas desenvolvem problemas metabólicos porque seu cérebro ordena que elas comam mais que a capacidade do corpo de armazenar gordura. O tecido adiposo já atingiu o limite. Pessoas com lipodistrofia, como Claire, têm tão pouco tecido adiposo que também não conseguem armazenar a gordura que seu corpo produz para guardar as calorias excessivas oriundas dos alimentos consumidos.

“As pessoas geralmente pensavam no tecido adiposo como um depósito inerte, uma espécie de gosma branca amorfa” afirmou o Dr. Sam Virtue da Universidade de Cambridge. Na verdade, “trata-se de um órgão muito dinâmico”.

Isso também explica porque entre 10 e 20% das pessoas obesas não desenvolvem quaisquer problemas metabólicos, afirma Philipp E. Scherer, diretor do Centro de Diabetes Touchstone, no Centro Médico Southwestern, da Universidade do Texas, em Dallas. Esses obesos saudáveis são como ratos gordos com uma habilidade incomum de expandir o tecido adiposo para armazenar calorias.

 

Texto 4

A gordofobia é uma forma de discriminação estruturada e disseminada nos mais variados contextos socioculturais, consistindo na desvalorização, estigmatização e hostilização de pessoas gordas e seus corpos. As atitudes gordofóbicas geralmente reforçam estereótipos e impõem situações degradantes com fins segregacionistas; por isso, a gordofobia está presente não apenas nos tipos mais diretos de discriminação, mas também nos valores cotidianos das pessoas.

Uma das maiores dificuldades ao se enfrentar a gordofobia está na própria resistência social de reconhecer esse preconceito. Isso acontece porque é considerado aceitável intimidar e censurar quem é gordo, fazer observações constrangedoras sobre o que a pessoa gorda está comendo e utilizar todos esses comportamentos intrusivos como justificativas para uma falsa preocupação com a saúde do indivíduo.

Mas mesmo a própria preocupação com a saúde de quem é gordo já demonstra indícios de gordofobia, uma vez que se assume que aquele sujeito tem problemas de saúde só por ser gordo, enquanto pessoas magras não são abordadas e questionadas a respeito de seus níveis de colesterol, por exemplo. Acontece que, culturalmente, quem é magro é visto inicialmente como saudável, independente de outros fatores.

Fonte: http://www.revistaforum.com.br/digital/163/gordofobia-como-questao-politica-e-feminista/

 

 

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