Título da Redação: Complexa Obsessão

Proposta: Padrão de beleza e sociedade.

Redação enviada há mais de 3 anos por Débora Oliveira


Escravidão é o estado de submissão e dependência de um indivíduo à algo ou à alguém. No século XVIII reside um dos maiores exemplos: o trabalho compulsório dos negros africanos nas fazendas da recém-descoberta América. Já na atualidade, a escravidão está intimamente conectada ao padrão de beleza: a busca pelo modelo estético perfeito e inatingível divulgado pela mídia desde a mais tenra idade tem escravizado os indivíduos às intervenções plásticas e transformado o que deveria ser uma simples vaidade em uma complexa obsessão.

Infelizmente, nas últimas décadas, a indústria cultural midiática tem conseguido, devido à uma retórica bem desenvolvida, seduzir a sociedade a consumir cosméticos e procedimentos estéticos que levariam ao corpo perfeito na vã e falsa promessa de felicidade, saúde e juventude. Nem mesmo as crianças tem escapado do desejo de seguir o padrão estético: é cada vez mais comum observarmos uma menina trocar uma boneca por um batom, seja por influência dos pais ou, até mesmo, dos contos de fadas. É inacreditável como frases que, no senso comum, seriam inocentes – como “espelho, espelho meu, existe alguém mais bonita do que eu?” – são capazes de incitar, no ímpeto infantil, a ânsia pela perfeição física e, futuramente, por intervenções cirúrgicas ao modelo padrão, muitas vezes, inatingível.

É necessário ressaltar, contudo, que a preocupação com a imagem física é, indiscutivelmente, saudável e necessária, pois aumenta a autoestima e ajuda a preservar, em alguns casos, saúde mental e física. Entretanto, a partir do momento que essa atitude deixa de ser motivo de realização pessoal e passa a ser questão primordial para a existência do indivíduo e para a realização do seu desejo de alcançar o padrão de beleza perfeita, ela se torna uma obsessão extremamente prejudicial à saúde corporal ou psíquica. Exemplos como a deformação na perna da modelo Andressa Urach pela aplicação excessiva de hidrogel e a cegueira parcial do Ken humano Justin Jedlica ao retirar uma veia da testa que estava “poluindo sua imagem” ilustram como a imposição de um padrão estético pode acarretar sérios malefícios ao bem-estar individual.

Fica clara, portanto, a necessidade de manter o culto à beleza apenas quando o objetivo é uma melhor saúde ou um aumento da autoestima. Para que se minimize a chance do surgimento de uma vaidade obsessiva, o Legislativo pode tornar obrigatório a passagem do paciente que deseja um procedimento estético definitivo por psiquiatras e psicólogos, como já é feito nos preparatórios de vasectomia ou de redução de estômago. Também pode ser proibido, pelo Poder Público, publicidades que cultuem o corpo perfeito, com risco de altas multas às empresas anunciadas. Já à comunidade, cabe introjetar nos pupilos, por atividades lúdicas na escola ou no âmbito familiar, valores que exaltem princípios mais permanentes e menos supérfluos que a beleza, tais como caráter e bom-senso, o que minimizaria o número de cirurgias plásticas desnecessárias . Afinal, se o ser humano ainda não conseguiu, por si próprio, libertar-se da escravidão do padrão inatingível de beleza, quem diga, tampouco, que alguma intervenção estética um dia o fará.

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