Título da Redação: Quanto pesa o preconceito?

Proposta: Padrão de beleza e sociedade.

Redação enviada há mais de 3 anos por Marlon Deleon


Vivemos em uma sociedade onde o corpo é cultuado. Este culto à estética em padrões minoritários revela o discurso de ódio contra aqueles que não se adequam às regras dessa ditadura. A ditadura da magreza prega a desvalorização, estigmatização e hostilização das pessoas gordas e seus corpos, a chamada gordofobia. Porém, o maior problema é que a sociedade não reconhece esse tipo de preconceito como legítimo. Diante disso, faz-se necessário discutir a valorização dos estereótipos de padrão de beleza, e a forma como eles influenciam na sociedade, bem como os aspectos ligados à liberdade corporal e direitos sobre o próprio corpo.
A Catho Online, empresa de seleção e recrutamento, mostra em sua pesquisa que dos dezesseis mil profissionais de alta gerência entrevistados, 59,1% tem alguma objeção no momento de contratar funcionários gordos. Aponta ainda que a cada ponto a mais no índice de massa corporal (IMC), representa menos R$ 92,00 (noventa de dois) reais no salário em relação ao salário de pessoas magras. Roberto Justus, empresário e apresentador brasileiro, afirma que “[...] não se deve contratar quem está acima do peso, pois isso é um sinal inequívoco de desequilíbrio e falta de inteligência.”, para se posicionar de forma opressora contra os gordos no mercado de trabalho.
Sendo o corpo entendido como parte de algo maior, é então permitido analisa-lo sob diferentes aspectos. A beleza toma outra posição nesse momento do diálogo, pois assume a forma de um ser imutável, venerado e cultuado de diferentes formas ao longo da história da humanidade, até chegarmos aos dias de hoje, onde ela se torna apenas mais um produto das mãos dos homens, sendo valorizada de forma exacerbada e ganhando valores que não a pertencem. Goldenberg e Ramos afirmam que "Num contexto em que a beleza e a forma física não são mais percebidas e valorizadas como “obra da Natureza Divina” e passam a ser concebidas como resultado de um trabalho sobre si mesmo, faz-se pesar sobre os indivíduos a absoluta responsabilidade por sua aparência física.”
Além disso, o cyber bullying praticado contra os gordos nas redes sociais tem sido motivo da elevação da taxa da depressão entre os “fora do padrão”. Tem se tornado comum recriminar de forma taxativa e agressiva as selfies onde os acima do peso expressam sua corporeidade e sensualidade, ocasionando a repressão – inclusive a sexual – dessas pessoas.
São vários os vieses pelo qual a gordofobia caminha. Seja na mídia – onde as revistas de moda ditam a magreza de forma cada vez mais intensa, não dando espaço para a pluralidade de tipos de beleza e a singularidade da beleza de cada indivíduo – nos grupos sociais ou na história, ela sempre virá pautada pela segregação e desvalorização daqueles que não se encaixam. Educação em saúde faz-se necessário para empoderar a população acerca dos riscos que o excesso de peso pode causar, e também para desestruturar a magrocracia - imposta pelos meios midiáticos- e dessa forma valorizar as diferenças. Mais espaço para variedade corporal nas revistas e televisão também se mostra necessário, de forma a proporcionar à população segregada e excluída sua representatividade e reconhecimento nesses espaços de mídia. Agindo com respeito e valorizando as diferenças, caminharemos rumo a um mundo melhor.

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