Título da Redação: Regressão disfarçada de evolução

Proposta: Testes em animais: até que ponto o avanço da ciência interfere no direito à vida dos animais?

Redação enviada há mais de 3 anos por Bia Vasconcelos


Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, diz em suas "Memórias Póstumas" que não teve filhos e não transmitiu a nenhuma criatura o legado de nossa miséria. Talvez hoje ele percebesse acertada sua decisão: a postura do homem em relação aos animais é uma das faces mais perversas de uma sociedade que se despe de valores éticos em nome da ciência. Os bichos sentem dor, adquirem ferimentos e transtornos psicológicos. Reverter esse quadro sem ferir os experimentos científicos - eis uma missão cheia de obstáculos e desafios.
É válido considerar, antes de tudo, a precariedade no que se diz respeito à tecnologia e às pesquisas voltadas aos testes laboratoriais em países como o Brasil, por exemplo. A falta de investimento nessas áreas torna a ciência dependente dos animais para certos experimentos, entretanto, nada justifica realmente a exploração e o sofrimento pelos quais esses seres vivos passam. Jeremy Bentham afirmou que "não importa se os animais são incapazes ou não de pensar, o que importa é que são capazes de sofrer", todavia, o homem parece não ter aprendido essa lição quando prova sua falta de ética ao pôr seus interesses acima de tudo, inclusive da dor de outras formas de vida.
Cabe apontar também a importância do papel de entidades como o Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea), pois o estabelecimento de normas que visem a proteção dos animais é imprescindível. No entanto, deve-se questionar a eficácia dessas normas, tendo em vista que, apesar das regras implantadas, ainda existem laboratórios que praticam maus-tratos. Prova disso, foi o resgate de cachorros da raça beagle do Instituto Royal, onde ativistas encontraram alguns desses cães mutilados e com tumores.
Fica evidente, portanto, que qualquer tipo de realização experimental com animais que venha a causar sofrimento aos mesmos, deve ser combatida. Isso só será possível com a fiscalização de normas criadas pelos órgãos responsáveis, garantindo o cumprimento destas. Os governos de países que ainda dependem desse tipo de teste, devem investir em pesquisas científicas e tecnologia, buscando ampliar os métodos usados em experiências e aperfeiçoar as alternativas já existentes - como as técnicas in-vitro com tecidos e células animais ou humanas. Assim, poderemos de verdade evoluir ética e cientificamente, e deixar um legado do qual Brás Cubas se orgulharia, onde o homem é capaz de respeitar e preservar por outros seres vivos.

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