Tema de redação
Trotes universitários

Textos motivadores

A origem medieval do trote universitário

A cada temporada de matrículas, o trote volta a preocupar. Mas ele é também uma forma de inserir os calouros na nova fase, algo que os antropólogos costumam chamar de “ritual de passagem”. Trata-se de uma tradição medieval – no sentido temporal da palavra. Sim, a prática do trote persiste desde
a Idade Média.

Segundo Antonio Zuin, professor do departamento de Educação da UFSCar, os candidatos aos cursos das primeiras universidades europeias não podiam frequentar as mesmas
salas que os veteranos e, portanto, assistiam às aulas a partir dos “vestíbulos” – local em que eram guardadas as vestimentas dos alunos. “As roupas dos novatos eram retiradas e queimadas, e seus cabelos, raspados. Essas atividades eram justificadas, sobretudo pela necessidade de aplicação de medidas profiláticas contra a propagação de doenças”, explica Zuin, que é também autor do livro “O Trote na Universidade: Passagens de um Rito de Iniciação”.

(…) Mais intrigante é a origem do termo “trote”: é uma alusão à forma pela qual os cavalos se movimentam entre a marcha lenta e o galope. A aplicação da palavra ao mundo das relações entre calouro e veterano tem, na visão de Zuin, um significado claramente negativo. É como se o primeiro devesse ser “domesticado” pelo segundo “por meio de práticas vexatórias e dolorosas, que têm a função de esclarecer quais são as características das respectivas identidades”. Paulo Denisar Fraga, filósofo e professor da Unifal-MG, ilumina outro termo do “vocabulário do calouro”: “bixo”, que no contexto do
ingresso na universidade é utilizado para designar os novos alunos. “É um trocadilho um tanto ofensivo, pois, a letra “x” indica, depois do vestibular, aquele que está marcado”.

(…) “Desde o princípio de sua aplicação, com exceção da questão profilática, o trote já era caracterizado como um rito de iniciação e de passagem, fundamentado numa integração de caráter sadomasoquista”, afirma Zuin. Para ele, a prática serve como possibilidade de “vingar a dor” física e psicológica sofrida por alguém (o veterano, no caso) na universidade. “Para o calouro significa, entre outras coisas, a
possibilidade de se sentir integrado na vida universitária e de se conformar com a promessa de que poderá se vingar das pancadas e, sobretudo, humilhações, no ano seguinte, quando se tornar veterano”.

Marina Dias – jornalista. Revista Veja – 09/02/2009. Disponível em: https://veja.abril.com.br/noticia/educacao/origem-medieval- -trote-universitario

 

Como parar os trotes violentos

Como parar os trotes violentos

Na tarde da quarta- -feira 4, estudantes da faculdade Mackenzie, em São Paulo, interceptavam motoristas que trafegavam pela avenida Pacaembu, na zona oeste. Em grupo e sob efeito de álcool, os jovens andavam seminus e pintados para fazer o chamado “pedágio”, quando o aluno é obrigado a pedir dinheiro aos motoristas. A cena condenável, degradante para quem via, parece benigna perto dos atos de extrema humilhação, violência e tortura que ocorrem a cada início de ano letivo nas universidades. A situação é tão grave que foi instalada uma Comissão Parlamentar de Inquérito de Trotes Universitários na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Em depoimento à CPI, no início do ano, uma aluna de medicina da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas deu a medida do que os universitários consideram um rito de passagem: “Além de simular sexo oral com uma banana, os meninos tinham que mergulhar numa piscina com urina e fezes”, relatou a estudante de 21 anos, sobre um evento organizado pelos veteranos em uma chácara.

(…) É preciso acabar com a barbárie dos trotes violentos e as faculdades não podem se eximir de suas responsabilidades. “Elas também devem ser punidas, porque adotam uma postura permissiva e políticas de segurança frágeis que funcionam apenas no momento da denúncia”, afirma Zilda Iocoi, coordenadora do Núcleo de Estudos das Diversidades, Intolerâncias e Conflitos. Autor do livro “Anatomia do Trote”, o professor Antônio Ribeiro de Almeida Júnior, do Departamento de Economia, Administração e Sociologia da Escola Superior de Agricultura (Esalq), diz que há uma cultura do abuso e da humilha- ção. “As empresas deveriam evitar contratar profissionais que participaram de trotes violentos na universidade”, diz ele. “A mesma postura será reproduzida no ambiente de trabalho.”

Fabíola Perez – jornalista. Revista Istoé – 06/02/2015. Disponível em: https://www.istoe.com.br/reportagens/403631_COMO+PARAR+OS+TROTES+VIOLENTOS?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage

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