Título da Redação: O inferno são os outros

Proposta: Trotes universitários

Redação enviada há cerca de 3 anos por Débora Oliveira


“O homem é condenado à liberdade”. Essa máxima do filósofo francês Jean-Paul Sartre demonstra como, na ausência de regras, o livre-arbítrio humano pode se tornar uma arma contra o sem bem-estar. Assim também ocorre com os trotes universitários: na inexistência de leis federais, a liberdade de ação dos veteranos torna o que deveria ser uma brincadeira de integração dos calouros em uma agressão física e moral sem justificativa e, portanto, incabível à aproximação dos estudantes.

Lamentavelmente, os trotes violentos, como queimaduras de ácido, ingestão de gasolina ou, até mesmo, simulação de gestos sexuais, têm promovido sequelas psicológicas ou físicas irreparáveis a maioria dos calouros. Por medo ou por humilhação, alguns dos novatos podem vir a desistir de frequentar o ambiente universitário. Já para os que continuam a hierarquia intrínseca do trote – dos veteranos superiores aos calouros - divide os estudantes e impede a integração harmônica dos mesmos. Sendo assim, essa ação vexatória acaba por cumprir o oposto de seu objetivo.

É evidente, ainda, que os principais fatores do uso da violência nos trotes são a proibição de sua prática apenas internamente às instituições e a indiferença social perante tais barbáries. Sem leis federais, tais agressões estão, geralmente, sendo realizadas em praças ou vias públicas, o que, além de possivelmente engrandecer a humilhação do calouro, impede a punição dos veteranos. Soma-se, ainda, a falta de participação popular em projetos que impeçam tais escárnios que, infelizmente, se tornaram comuns e “aceitáveis” ao cotidiano. Desse modo, sem repreensão social ou legal, os jovens não se vêem coagidos à não praticarem o trote.

Fica claro, portanto, que os trotes violentos têm cumprido o oposto da integração dos estudantes e precisam ser erradicados urgentemente. A curto prazo, cumpre ao Legislativo criar uma lei de proibição ao trote, além de implantar a fiscalização necessária nas universidades através de câmeras ou, até mesmo, da criação de delegacias dentro das instituições. Já à sociedade, cabe impedir a ocorrência do trote através da implantação de centrais comunitárias de denúncia que sigam o modelo Disk Trote, recentemente instalado em São Paulo. A longo prazo, pode ser estimulado pelo corpo social, através de campanhas panfletárias, no ambiente universitário, ou virtuais, nas redes sociais, a prática de trotes integrativos do tipo solidário ou apadrinhamento. Sendo assim, ao contrário de Sartre ao afirmar “o inferno são os outros”, os calouros deixarão de temer os veteranos, e haverá, uma convivência harmônica e integrada entre os estudantes.

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